por Henrique Fernandes » terça mar 13, 2012 5:17 pm
Companheiro zejorge:
Até compreendo a origem do seu raciocínio, mas penso que labora em erro. Senão vejamos:
Se consultar os estatutos dos clubes que integram a FPA, ou os estatutos da própria FPA (posso fornecê-los a pedido), não encontrará lá nada de discriminatório contra os autocaravanistas que pratiquem campismo. Por isso o problema não reside aí, ao invés do que parece pensar.
A verdadeira itinerância, a tal que eu classifico dos 100%, implica o total respeito pela possibilidade de livre escolha: estacionar e pernoitar no espaço público (dentro dos limites da lei, claro) ou no espaço privado (campings, por exemplo).
Dir-me-á o companheiro, com toda a razão, que outros clubes que não os três que referi também defendem estatuariamente este direito, e que por isso poderiam, também eles, ser por mim referidos como “100% itinerantes”.
O problema consiste na ligação estatutária simultânea desses clubes ao campismo, o que não acontece nos casos do CGA, CAS e CAI. Ora, é esta ligação estatutária que, no bom sentido, “inquina” tudo. Há muita gente no universo campista, que nunca na vida praticou autocaravanismo, a integrar estes clubes como membros: simples caravanistas, montanhistas, pedestrianistas, campistas, etc. Uma autêntica “salada russa”!
À sua maneira estas pessoas podem até ser “itinerantes”, mas não do mesmo gabarito dos “itinerantes autocaravanistas”, para os quais criámos especificamente os tais 3 clubes, e a FPA.
A reforçar isto está o facto de os sócios da FPA (CGA, CAS e CAI) só integrarem membros possuidores de autocaravana (um dos clubes está até a reformular a sua praxe interna para garantir formalmente este preceito). A própria FPA integra a FICM, entidade federativa europeia na qual a inscrição se faz por autocaravana e não por pessoa.
Por outro lado, a divisão a que o companheiro se referiu existe mesmo e não fui eu que a criei. Basta olhar para a variedade de utilizadores de um parque de campismo: autocaravanistas, caravanistas, campistas, etc., etc., como atrás referi. É inteiramente legítimo que um determinado clube exista no pressuposto de defesa dos interesses de toda esta gente, se as pessoas nisso acreditarem, mas é igualmente legítimo que outros clubes existam no pressuposto de defesa dos interesses de apenas um sub-sector exclusivo desta gente. Ou não será assim?
Acresce que não foi a FPA quem tentou uma impugnação judicial da FCMP, isto é, não foi a FPA quem “declarou guerra” ao campismo. Foi o contrário. Melhor dito, foi o campismo que há muito tempo (recorda-se por acaso das posições públicas do Sr. Manuel Dias acerca da “obrigatoriedade” de as ACs pernoitarem nos parques de campismo?…) declarou guerra, quem procurou dividir, quem deseja o conflito.
É por isso natural que os clubes com ADN “campista” nos seus estatutos que por sinal pretendem ser também “itinerantes” não saiam muito bem nesta fotografia. Contudo nunca me ouviu ou viu, nem ouvirá ou verá, proferir ou escrever uma palavra menos elegante para com estes companheiros, muitos dos quais conheço pessoalmente e respeito.
A questão de fundo é que é impossível um só clube convencer-me que consegue defender os interesses de toda a gente. É mais racional e inteligente reconhecer que há lugar para diversas perspetivas e interesses legítimos. Acredito que, depois de existirem clubes para defender cada interesse específico, será mais fácil negociar e conciliar os interesses de muitos, desiderato em que não creio se me for proposta uma solução unanimista e pretensamente unitária.
Aproveito para lembrar que é patente, pelo teor de muitas das minhas intervenções neste Fórum, que eu sou daqueles autocaravanistas que também praticam “autocaravanismo campista” (com recurso a parques de campismo, esclareça-se). E, pese embora ser possuidor de uma AC, ainda pratico – embora raramente – campismo com recurso a tenda.
Cumprimentos