O Turismo Itinerante em Autocaravana, na sua vertente não campista, constitui uma forma de turismo reconhecida, fora das nossas portas, e pressupõe espaços sujeitos a pagamento, para o parqueamento dos nossos veículos. Conhecemos bem esta realidade nos países que visitamos.
Este facto já por si representa um movimento financeiro que pode ser aproveitado por quem o dinamiza, e, em primeira instância ocorre-nos o Município como gestor do espaço, mas é óbvio que tal não é obrigatório.
Mesmo num contexto de crise, e especialmente no problemático litoral, não se vê um interesse explícito das entidades municipais em ordenar o estacionamento das autocaravanas e tirar também alguma vantagem da permanência desses turistas.
Ora bem, os privados já começam a ver que aí há uma oportunidade de negócio e autonomamente, com ou sem o apadrinhamento das autarquias, avançam e mostram como os nossos gestores autárquicos não sabem aproveitar o que o sol atrai, pois eles por si próprios nada fazem para captar este tipo de turismo. Pelo contrário, ainda o consideram um "problema difícil de resolver".
Como exemplo emergente, destaco o estacionamento que denominámos na nossa Base de Dados de locais de estacionamento como Praia da Rocha - Marina. Aqui, num local onde os autocaravanistas eram antigamente proibidos de estacionar pela Câmara Municipal, está desde o Verão passado explorado um espaço com uma localização e características de primeiríssima qualidade onde as autocaravanas são bem recebidas por… 1€ por dia. Valor que considero excessivamente baixo.
Estimando uma média de 80 ACs/dia em cerca de 6 meses por ano, e ignorando os restantes meses, verificamos que poderão ser arrecadados:
6meses x 80 Acs x 30 dias x 1€ = 14.400€ ano
Aproximando-se este valor daquilo que pagamos fora de Portugal (4€, por ex), teríamos 57.600€ ano.
Se pensarmos que temos locais equivalentes a este por essa Europa, onde, pela sua proximidade do mar, são cobrados 8€ ou 10€ por noite…é fazer as contas (mais de 144.000€ ano!)
Quando diz um famoso artigo do Jornal do Barlavento que “Caravanismo ilegal rouba oito milhões ao Algarve” http://www.barlavento.pt/index.php/noticia?id=39399 , eu diria que alguns gestores dos nossos municípios recusam e deitam fora receitas de estacionamento e inibem o comércio local que os elege de usufruir do consumo desses turistas, especialmente nas épocas de menor procura por parte dos turistas “convencionais”. Basta visitarmos o Algarve nesta época e apercebemo-nos do deserto de que falo, mas autocaravanistas são às centenas.
É mesmo um caso para dizer que os particulares começam a mostrar às autarquias que aquilo que eles deitam fora é bem aproveitado por quem tem de continuar para a frente com os seus negócios, pois as suas receitas não caem do ar nem são patrocinadas pelos contribuintes.
