Aldeia da luz a definhar?

Assuntos gerais relacionados com autocaravanismo.

Aldeia da luz a definhar?

Mensagempor Mario » quinta Oct 07, 2010 8:38 pm

Olá

Foi com grande satisfação que participamos na inauguração da área de serviço da Aldeia da Luz implementada pelo CCP em colaboração com a Junta de Freguesia.

Efectivamente na óptica do turismo itinerante a infra estrutura contribui decididamente para o fluxo de praticantes de autocaravanismo,em busca do apoio disponibilizado, da beleza natural e tranquilidade.

Recentemente adiciona-mos um dia de férias a um fim de semana xxl que nos permitiu voltar á região Alentejana para usufruir da atmosfera que se vive por aquelas paragens tão do nosso agrado.

Aldeia da Luz foi eleita pelas razões descritas como base de apoio preferencial.

Reservamos sempre algum tempo para as visitas de pormenor que são efectuadas a pé,percorremos quase todos os arruamentos e acessos adjacentes,observamos com atenção e concluímos que infelizmente a localidade está a definhar.

A degradação começa a estender as suas garras sobre as estruturas físicas, edifícios, arruamentos,até o museu parece estar "submerso".

Não há vida...as casas estão na sua maioria fechadas...a escola,marco importantíssimo da vitalidade e garantia de futuro de qualquer localidade,está deserta..ou quase....aparentemente os habitantes estão divorciados da sua aldeia...ou estarão a rejeitá-la?

Sentimos alguma angustia porque gostamos da Aldeia e teme-mos pelo seu futuro.

Continuaremos sempre que possível a visitá-la com uma esperança renovada...quando dois companheiros franceses perguntam se há algum local onde tomar uma refeição,mesmo que ligeira..penosamente explicamos que não...apenas um bar modesto...e talvez uma padaria ainda aberta....e um museu para visitar...apressaram-se na manutenção das autocaravanas e desapareceram.....

Estará Luz a perder o brilho ?
Aquele Abraço

Mário
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Mensagempor Nuno Pires » quinta Oct 07, 2010 11:21 pm

Boa noite a todos.

Amigo Mário a Luz foi uma vila que foi morta a sua nascença, a "verdadeira" Luz que nós visitamos no museu e no passeio de barco (aquando da inauguração da AS por esta casa) foi invadida pela modernidade e evolução foi invadida sem que se mantivesse o respeito por costumes e tradições nem os seus mortos escaparam....

Depois veio esta luz, esta luz eu tenho o privilégio de conhecer "bem" (a Susana tem lá família) é uma luz sem brilho é um albergue de sonhos e em alguns casos esperança, esperança, esperança no progresso na qualidade de vida no desenvolvimento, mentira tudo mentira.
A luz ganhou estradas largas, ganhou rua compridas e ganhou distancia entre os seus habitantes. A luz de agora não tem identidade própria esta luz ainda está a viver o LUTO de ter perdido a sua verdadeira LUZ.
Talvez durante o evento isso tenha passado despercebido a grande maioria mas esta luz é foi e será um presente envenenado que se deu aos seus habitantes.

Mas podes perguntas -Então que podemos fazer? fazer aquilo que tu fizeste que eu faço e que muitos de nós fazemos continuar a incluir a Luz nos nossos roteiros, não tiramos a dor mas quem sabe levamos mais brilho, talvez assim um dia a Luz volte a brilhar.

Este ano a Luz que eu vi foi esta:

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Também foi esta a Luz que tu viste?
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Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos e reconhecer que vale a pena viver.Pedras no caminho????Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
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Mensagempor cookie » sexta Oct 08, 2010 7:26 am

por acaso é uma zona que não conheço e gostava de lá passar mas na realidade, para a malta daqui do norte, ou é fim de semana prolongado, ou então é muito difícil lá passar.

tenho que arranjar argumentos para a cara metade que é um "colado da montanha" e por isso não é fácil...

de qualquer forma, espero em breve poder visitar a aldeia da luz. ainda para mais recebe bem os autocaravanistas.
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Mensagempor Paulo » sexta Oct 08, 2010 8:56 am

Caríssimos,

Em termos genéricos:
A Luz, tal como muitas outras localidades do interior Alentejano, e não só, são o reflexo das más politicas de gestão e de turismo que o nosso país tem tido ao longo dos anos. Não há uma visão global para resolver os problemas da desertificação, e o pouco que aparece peca por não conseguir articular-se com o resto do sistema. Nesta zona também há turismo rural, enoturismo...etc, mas entre estas vertentes turísticas não vejo grande coisa que as una (motivo da minha afirmação sobre desarticulação).

Especificamente sobre a Luz:

A Luz é como todos as outras localidades pequenas: a padaria fecha ao Sábado à tarde e ao Domingo e os cafés/restaurantes se não tiverem um movimento corrente aceitável, não estão preparados para as refeições sem ser por encomenda.

Por outro lado, há a sociedade recreativa que está sempre aberta, bastante acolhedora, com preços muito em conta, e onde se pode passar um bom bocado. Durante o Inverno tem lareira.
Tal como diz o Nuno, e muito bem, havendo um estrutura pensada em e para nós Autocaravanistas, devemos tentar incluir estes destinos nas nossas rotas, como muitos fazemos e isso está bem expresso as mensagens anteriores. Não chega utilizar a AS para despejos e abastecimentos - devemos frequentar os locais da terra. Só assim ajudamos a desenvolver e a manter.

É claro que não somos a galinha dos ovos de ouro, mas contribuímos para haver mais movimento e mais receitas no comércio local, e isso ficou sempre bem claro nos nossos contactos com a JF da Luz e não só...

Abraço,
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Mensagempor João Morgado » sexta Oct 08, 2010 1:35 pm

Boa tarde!
Esta é só para a companheira Cookie:
As mulheres quando querem conseguem sempre argumentos para tudo, por isso estou mesmo já a ver o casal a passar um fim de semana tranquilo na aldeia da Luz. Depois conte-nos.
Saudações.
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Coordenação turística

Mensagempor caraujo » sexta Oct 08, 2010 3:31 pm

Boas tardes companheiros/as,

O Paulo tem razão, quando diz que há falta de coordenação turística...

Quem já lá esteve (Barragem do Alqueva), sabe-o bem, pois não se admite, que uma região do país com aquelas condições naturais, não se consigam coordenar atracções turísticas, que verdadeiramente sejam uma fonte de receitas para as pessoas da região.

Basta ir à nossa vizinha Espanha, para ver como eles fazem, pois quase do nada conseguem fazer uma atracção turística.

Peço desculpa, pois posso estar enganado, mas para além dos aspectos relacionados com a natureza (paisagens, cores vivas e diferentes, fantásticas diga-se por sinal) o que mais há para oferecer????

Como convencer a "malta" nova que ir para o Alqueva é fixe???

Aquilo podia ser o paraíso do cicloturismo, paraíso dos desportos naúticos (desde que devidamente balizados e enquadrados), praias fluviais (algumas existem mas pouco atractivas, pois ninguém gosta de tomar banho de lodo), desportos radicais, etc, etc, etc.
O que existe? Um grande NADA.

Já fui umas 3 vezes aquela região, de Autocaravana, onde sempre passei pela Aldeia da Luz, inclusive neste Verão, de passagem, em que forcei a paragem por lá, a caminho de Vila Viçosa, e foi logo ouvir os miúdos a dizer "Pai aqui já tivémos e não há nada"...

O povo diz e com razão "Deus dá nozes a quem não tem dentes"...aqui estamos nós abençoados pelas condições naturais que nos deram e não as sabemos aproveitar, devidamente e de forma equilibrada.

PS- já agora relativamente ao "sabermos aproveitar, devidamente e de forma equilibrada", não nos devemos sequecer dos nossos pregadores da desgraça, em que se transformam, por vezes, os nossos amigos ecologistas, que tudo tentam barrar. Somos assim um país de tudo ou nada.

Um abraço,
Carlos Araújo
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Mensagempor vitorandrade » sexta Oct 08, 2010 6:55 pm

Boa Tarde,
Há algum tempo que me tenho abstido de participar, mas este tópico mexe comigo.

Já há largos anos que desenvolvo o meu trabalho na área do desenvolvimento o que me tem levado a tentar perceber o que é isso e por onde começa. Porque é que há sociedades, com predominância nas nórdicas, onde se cria riqueza e qualidade de vida e outras onde, por vezes com mais recursos, as pessoas vivem mal e são incapazes de transformar em mais valias o que está ao seu redor.

A questão que sempre me surge é de origem cultural. Não a cultura erudita, académica, mas aquela em que assentam as relações sociais de base. Aquela que se se apercebe no funcionamento da própria sociedade.

Numa sociedade que nós, muitas vezes, damos como exemplo de evoluídas as pessoas têm um sentido colectivo muito forte e esse sentido é construído através da participação individual na coisa pública. Há um grande sentido de pertença e todos assumem a responsabilidade do que está à sua volta. Criam instituições onde negoceiam os seus interesses e fazem-se representar ao mais alto nível da sociedade. Portanto criam regras de funcionamento que sendo feita da participação de todos, todos as assumem e cumprem. Outra característica e não desligada da anterior, é que gostam de si, têm uma grande autoestima e preservam a sua identidade.

Ora vejamos o que acontece em Portugal.

Logo nos discursos há uma demissão. São sempre os outros os culpados do que está mal e para tudo damos receitas como os outros deveriam fazer. O eu salta logo fora. Qualquer regra é subvertida, e tudo entra num processo de descredibilização. Isto destrói todo e qualquer processo de construção colectiva e abre o caminho a protagonismos individuais que vão assumindo e ocupando os cargos de representação que depois utilizam para distribuir regalias e benesses para a sua clientela de manutenção no poder. Tudo isto só é possível porque nós temos na base uma cultura de pouca/nenhuma participação na coisa pública e de “amiguismo” na resolução dos nossos problemas. À sociedade vimo-la como qualquer coisa que não nos pertence. Estamos muito preocupados no eu e esquecemo-nos que para esse eu ter projecção ele só o poderá ter na sociedade em que vivemos. Esta relação com o colectivo leva-nos a ter uma autoestima societária muito baixa, daí a descredibilidade constante do que é nosso e a nossa predisposição para consumir a novidade que por norma é importada.

Mas que tem a ver isto com os problemas de desenvolvimento da Aldeia da Luz?

Tem e muito.
As pessoas da Aldeia da Luz ao não terem uma cultura de participação na sua construção colectiva deixaram de ter espaço identitário de pertença e ficaram muito mais dependentes do exterior e das suas vontades. Por outro lado a sua capacidade de reivindicação é praticamente nula, pois cada um luta por si e disputa com outro o pouco que resta. A falta de projecção no futuro faz o resto, leva os jovens a abandonarem a aldeia. Até parece Portugal em ponto pequeno...

Duma forma mais particular isto também responde às questões colocadas no tópico
http://www.campingcarportugal.com/forum/viewtopic.php?t=4045
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Mensagempor vitorandrade » domingo Oct 10, 2010 8:05 pm

Para quem estiver interessado em tentar entender um pouco mais da sociedade que fomos criando aqui vai
http://videos.sapo.pt/JoFz521LdtWURRpTF1YY

No essencial estou de acordo com o pensamento seguido. Penso no entanto que também cai no exagero de atribuir só a culpa a quem nos dirige. Eles só podem ser assim porque estão no país onde nós vivemos e por isso também temos de ter alguma culpa.

É só fazermos um pouco de introinspeção e vemos a nossa incapacidade de nos organizarmos para concertarmos uma reivindicação até numa pequenina coisa como o AC.
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Estado do País

Mensagempor josegon_calves » segunda Oct 11, 2010 2:54 pm

Boa tarde Companheiro Vitor Andrade,

Venho agradecer-te por estares atento e disponibilizares esta fantástica reportagem sobre o estado do País e não só!

Vale a pena reflectirmos sobre o assunto na generalidade.

Para bem de todo o Povo.

Obrigado.

Um abraço,
Até sempre,
José Gonçalves
(Guimarães)

http://ohotelrolante.blogspot.com

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by: Fernando Pessoa
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Mensagempor AnaF » segunda Oct 11, 2010 3:29 pm

Viva!

Por minha parte (e da minha família) continuamos a insistir em ir e voltar à Aldeia da Luz!

As pessoas não têm culpa do que lhes fizeram e depois do que aconteceu não se pode pensar em visitar a Aldeia da Luz, como já tenho assistido, tipo excursão que entra, olha para os "macacos" (tipo zoo) com olhos raros e vai embora.

Há a queijaria, há a padaria, há o mini-mercado, há o tal bar que apesar de modesto serve muito boas refeições (onde tenho comido montes de vezes). Sei que também há outro café restaurante mais retirado da Rua Principal (mas sobre o qual não pouco fazer comentários porque ainda não o experimentei!).

Até já tivemos o privilégio de chegar e enturmar nos cantares alentejanos ...

De facto há que não desistir e o pólo atractivo que representa a Área de Serviço não se pode desprezar.
Por mais de uma vez a encontrei completamente cheia e o terreiro na parte superior muito composto também de AC nacionais e estrangeiras.

Não podemos desistir!

Saudações Autocaravanistas!


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Mensagempor AnaF » segunda Oct 11, 2010 3:32 pm

"Sorry!"


Não é: não pouco fazer ... mas não POSSO fazer comentários !...
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Mensagempor vitorandrade » segunda Oct 11, 2010 10:15 pm

Olá Ana! Há que tempos não te via por aqui!

Sabes quase tão bem como eu aquilo que tem sido o meu trabalho em prol dos pequenos espaços. Inclusivé já algumas vezes fomos companheiros em actividades dessas. A minha questão não é desistir, mas de uma forma racional tentar perceber porque é que onde parece que há tudo para dar certo, a coisa se torna sempre tão difícil.

E aí tem realmente a ver a cultura que leva os grupos sociais a entrar em processos de dependência e não em arranjar processos argumentativos que conduzem à reivindicação e construção do seu futuro. Toda a gente conhece o caciquismo que rola pelo país e como ele se vai alimentando e reconstruindo.

É evidente que a Aldeia da Luz aqui serviu de pedra de toque, mas o país é o conjunto de muitas Aldeias da Luz. Há tanta coisa desaproveitada por esse país fora!
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