O estado da nossa cultura. Onde vai parar?

Assuntos gerais relacionados com autocaravanismo.

O estado da nossa cultura. Onde vai parar?

Mensagempor Nuno Pires » segunda abr 14, 2008 11:54 pm

Boa noite.

Começa a ser visível o estado de abando do nosso património, onde altos valores se levantam e pouco ou nada se faz em prol de monumentos menos emblemáticos em que se exibe orgulhosamente autenticas ruínas que teimam em chamar Castelos. :shock:
Será que não mereciam sorte melhor? :roll:
Será que não merecíamos por parte de quem de direito um apoio mais sério que não fosse uma sim placa a dizer Património Nacional IGESPAR agora vê o que queres e se não ala que se faz tarde?
Vou dar um exemplo concreto, Castelo de Juromanha, ou Ruínas de Juromanha, logo ai começa a confusão, o estado de abando é tal que á coisa de 2 anos a trás os populares impediram uns espanhóis de roubarem as portas do Castelo. Será isto normal? E o cúmulo foi a desculpa, “como estava tudo abandonado a malta pensou que ninguém dava fé”.
Este castelo a semelhança de outros na região estão completamente esquecidos e abandonados onde a culpa nunca é de ninguém, em que o jogo do empurra é uma constante e a desculpa mas dita é
“ Não temos dinheiro”
SERÁ? :evil:

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Mensagempor Helder » terça abr 15, 2008 9:15 am

É bem verdade, não consigo entender como é possivel deixar a nossa cultura, o nosso patrimonio historico ir caindo aos poucos.
Acredito que a culpa seja das Autarquias que não se preocupam com os seus patrimonios, preocupam-se antes noutros assuntos que possam ser mais vantajosos.
Quando vejo os castelos em frança, os seu monumentos, a sua historia preservada, consigo mais uma vez entender que o interesse de quem manda é O.
Se alguem for do algarve, vejam uma placa que me deixa rir sempre que chego ao Algarve. Antes das portagens do Algarve/paderne, existe uma placa de informação "castelo de Paderne", aproveitem vão lá ver o castelo. Consegue-se neste país chamar castelo a meia duzia de pedras, umas em cima das outras. Depois de ficar totalmente destruido é que o sinalizam com placas, realmente....
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Mensagempor Nuno Pires » terça abr 15, 2008 9:18 pm

Pegando no exemplo de juromanha deixo aqui alguns fotos que garanto não fazem jus ao completo estado de abandono.
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Abandona não é?
É lógico e seria muito injusto da minha parte dizer que todo estivesse assim, temos boas excepções, que infelizmente pecam por poucas.
Quem for no próximo encontro do CCP vai ver com os próprios olhos o Castelo de Mourão, um bom exemplo de esquecimento.
Embora, quando não estão esquecido estão Vazios, onde se encontra o seu recheio?
Não quero só dizer mal, simplesmente custa ver Castelo monumento seja o que for “amordaça” sem poder demonstrar todo o seu potencial e nós transmitir Séculos de historia.
Vejam o “maior” exemplo de requalificação e reaproveitamento do espaço, a meu ver é claro, Óbidos.
Óbidos é uma prova real de quando se quer pode fazer muita coisa, feira do chocolate, feira medieval, vila natal eles fazem um invento e antes de começar é um completo sucesso.
Será que é assim tão difícil? Tentem para quem conhece é claro imaginar Juromanha, com a organização e trabalho da malta de Óbidos.




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Mensagempor JorgeAlmeida » terça abr 15, 2008 9:59 pm

A meu ver, isto acontece porque,se calhar quem deveria zelar pelo nosso Patrimonio Historico,dedica-se mais a fazer castelos na areia!
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Mensagempor ribeiromarco » terça abr 15, 2008 10:43 pm

O nosso patrimonio histórico pouco perdurará, apenas restarão estádios, aeroportos, pontes e empresas de obras publicas com os cofres cada vez mais recheados.

Pena que assim seja.
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Mensagempor Nuno Pires » terça abr 15, 2008 10:49 pm

Boa noite.
Estádios?
Ribeiro nada como dar um salto ao Algarve para um verdadeiro “elefante branco” chamado Estádio do Algarve.
Para que serve?
E agora um novo autódromo, não chega o quase sempre fechado Autódromo do Estoril.

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Mensagempor Fernando Dias Silva » quarta abr 16, 2008 7:10 pm

Boa noite

Relativamente a este assunto julgo que não se pode confundir entre o que resta dos monumentos em que uma intervenção desvirtualiza o que realmente foi e o que existe deixa de ter originalidade, e o real abandono do espaço envolvente. Em relação a Óbidos e também a outros monumentos é a valorização do espaço envolvente, não digo só a limpeza e ordenamento mas também e sobretudo as iniciativas levadas a cabo para chamar os turistas. Sortelha é um bom exemplo, o que existe do castelo se estivesse isolado, provavelmente diriam que estava abandonado, mas inserido na aldeia histórica recuperada passa por todo um conjunto maravilhoso.
Conheço o castelo de Mourão, e este como outros sofreram com o terramoto de 1755. Para recuperá-lo? Será que obdeceria à traça original?
Em Belmonte dentro do castelo fizeram uma "sala" de espectáculos ao ar livre. Está correcto?
Devemos deixar os monumentos com a sua traça original, e não deixar ao abandono o espaço envolvente.
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Mensagempor Nuno Pires » quarta abr 16, 2008 8:01 pm

Boa tarde.
Amigo Fernando (sem me permites é claro) e demais companheiros, “eu” até estaria disposto a concordar com o desvirtuar, dentro de limites é claro, em vez de encontrar abandonado e sem qualquer tipo de “apoio”, mantendo o exemplo de Óbidos, feira do chocolate, que tem a ver com historia do Castelo? Nada, contudo a historia nunca acaba, outrora zona de lutas e batalhas, agora centro de “diversão” e socialização de populações, julgo ser uma alternativa aos grandes centros comerciais, bem sei que gostos não se discutem.
Falaste de Sortelha, bela Aldeia histórica, bem arranjada, conservada, magnífica, mas, (não quero que pensem que estou sempre a dizer mal de tudo) nas últimas férias tivemos o privilégio de visitar a Aldeia, fomos surpreendidos a entrada pela funcionária do posto de Turismo com um panfleto feito por ela (simples e conciso, um gesto que pouco se vê onde se preocupa com os visitantes e turistas) que nos indicava o que visitar na aldeia, bem como pontos de interesses
Aqui é que eu quero chegar é o abandono por parte das instituições “responsáveis”.
O abandono traz vandalismo que destrói tudo e não deixa nada para “contar”, julgo estarmos de acordo que mais vale arranjado com um propósito que abandonado.
Ai bem perto de ti tens (que deves conhecer muito bem) S Maria da Feira, com um belíssimo Castelo, pelo que vi quando o visitei ele é utilizado para eventos e não fiquei “chocado” com as alterações que fizeram na torre de menagem, muito pelo contrario, colocaram lá umas casa de banho, alem de tornarem a torre acessível a todos, quantas torres dessas temos por Portugal sem acesso por falta de intervenção?
Bom isto todo para não falar no espólio de cada monumento que se encontra em casa de particulares sabe-se lá bem porquê.

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Mensagempor Fernando Dias Silva » quarta abr 16, 2008 9:53 pm

Amigo Nuno, só me está(s) a dar razão, as autarquias que se preocupem em arranjar todo o espaço envolvente dos monumentos que estes estão assegurados por natureza. Quando digo arranjar é directamente com estruturas de apoio (nao necessáriamente desvirtuar os próprios seja com o que for - pode ser bonito e até funcional mas não histórico) e com iniciativas adequadas aos mesmos para os valorizar, como acontece em Santa Maria da Feira com a feira medieval e representações cénicas do tempo em que o castelo era activo na sociedade.
Convento de Cristo em Tomar, belo não é? Mas só vai continuar belo e digno da história preservá-lo assim como está, pois se por acaso houver algum tipo de intervenção a modificá-lo, seja em algo que o constutui ou no seu interior, deixa de ter o "ambiente" que nós que o visitamos gostamos de sentir.
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Mensagempor Pluma Vermelhinho » quinta abr 17, 2008 11:03 am

Permitam-me que coloque aqui este texto que embora não fale de castelos ou monumentos, tem sem sombra de duvida algum impacto na nossa cultura, pois esta não é só o que temos de fisico a representá-la (museus, castelos, vilas...) mas sim também o que o nosso povo realmente é na sua essencia. Texto escrito por Antóbio Barreto.

ELES ESTÃO DOIDOS!

A meia dúzia de lavradores que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da fast food, para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e petiscos, a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações.
Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios.

Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados. A solução final vem aí.
Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam- se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.

Em frente à faculdade onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro.
Tem de ser em copos de plástico. Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido. Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos. Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido.

Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido. Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido. Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas. Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido. Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido. Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido. Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.

É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos. Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.

As regras, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.

Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto. Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género. Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas. No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta produto não válido, mesmo que esteja vazia.
Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação. Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda. Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.

Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido. Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica. As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas. As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.

Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido.
Tem de ser de plástico ou de aço. Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte. O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.

Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde.
Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.
Boas viagens e fiquem bem.
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Mensagempor Nuno Pires » quinta abr 17, 2008 11:50 am

Portugal está a conhece uma nova viragem a nível de regras normas e deveres com um fim, o proporcional um tipo de vida mais “saudável”. Mas tudo isto tem uma barreira muito frágil entre o “destruir” com o que de “tradicional” se faz e o que de Muito mau se vende.
Pelo justo vai pagar o pecador, quem é obrigado a pagar o que de direito a nível de impostos e não “consegue” fugir tem aqui um aliado, agora o comum do cidadão que tentar equilibrar as finanças é que vai sentir (sempre os mesmos).
A meu ver a criação da ASAIE e a sua intervenção na peca por tardia, caso contrario não teríamos chegado onde chegamos. Até me arrepia toda a quantidade de comida imprópria para consumo que foi apreendida nas nossas casas. Bem sei que muitas famílias por causa “deles” (ASAIE) viram os seus negócios fechados ou serem aplicadas coimas a voltadas, mas porque foram multados???
Temos que ter a “coragem” de perceber quem está mal.
Alguém tem que nós “defender” e apanhar quem por tuta e meia nós coloca carne, peixe podre a mesa.

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Mensagempor errante » sexta abr 18, 2008 1:58 am

Se me permitem,
acho muito interessante tudo o que disse neste tópico até agora.

Diferentes opiniões e perspectivas que me parecem todas, sem excepção, acertadas, embora por vezes se afigurem quasi contraditórias.

Penso que o não atendimento à necessidade de manutenção do nosso património histórico edificado é um problema muito em linha com esse outro património cultural de tradições e costumes..., que corremos o risco de perder em nome da higiene e segurança,etc...

Nestes últimos trinta anos corremos muito para apanhar o chamado pelotão da frente,....estamos a caminho de "esgotar as forças" de uma segunda geração na passagem do testemunho para uma modernidade que não pode deixar de se nos afigurar acelerada. Sabemos como tem sido dificil a gestão de parcos recursos,...na família com principal acuidade nos mais velhos (tantas vezes esquecidos), como no património edificado colectivo.

Parece-me uma questão transversal a toda a sociedade portuguesa, no momento, a priorização dos recursos!

Questionável, sempre!

Sei por formação, que não é mesmo nada barato, (muito pelo contrário) recuperar património edificado. Ou se faz como deve, ou é preferível não mexer (porque estraga mais); o testemunho aos vindouros não deve ser adulterado.

Diria que no futuro " aquelas pedras" contarão a história dos que edificaram, mas também a história, dos que não conseguiram manter.

Tudo isto em linha, com as tradições e costumes,que a ASAE parece ter que destruir...dou um exemplo,para me explicar melhor:

Somos o único país na europa comunitária com serviços de lotas e vendagem de pescado,( empresa pública a acumular prejuízos),...e para assegurar a higiene no manuseamento,embalagem e transporte do pescado com a qualidade, digamos média, da comercialização feita nos restantantes países comunitários não chega esse controle das lotas.

Os pescadores continuam a achar que o cachorro pode conviver com as caixas de peixe, os comerciantes acham que nada impede que as lexívias estejam por baixo da bancada, etc,etc...É preciso transpôr normas europeias de manuseamento e acondicionamento de pescado fresco,...única forma do mesmo circular além fronteiras com garantia veterinária.

Normas que rejeitam porque complicam e muito a vida (financeira) a pescadores e comerciantes, sem dúvida!

E quem não conhece os simpáticos mercados semanais, ao ar livre, em tendas de rua, (onde se compra desde peixe,carne, a frutas,...) em capitais como Amesterdão ou Paris!?

A tal vida de tradições e costumes de que fala António Barreto!

E então,... se nem lotas há !?

Bom! Não há lotas, nem são precisas, porque o(s) pescador(es) e o(s) comerciante(s) de peixe, há muito que livremente adoptaram procedimentos de higienização, ( sem a piada dos cães, das lexivias, ou outros que tais) validados por veterinários.

Procedimentos que, ao provarem o seu acerto, viraram Norma.

O António Barreto, esqueceu que, à semelhança dos "velhos" prédios de Paris ou Amesterdão, onde existem casas do mais moderno conforto,...as "velhas tradições" de feiras semanais com tendas, ao pé da porta, vendem produtos que chegam pela mão de homens e mulheres (modernos!?) que não precisaram da Norma para praticarem um manuseamento e acondiciomanento correcto e validado por especialistas.

O homem e a circunstância! Indissociáveis.

Roma e Pavia, não se fez,...e por vezes penso que por querermos chegar tão depressa, ainda acabamos por nos estampar.

Oxalá a próxima geração seja capaz do tal Património, e nós que vejamos. Já agora, com uma velhice confortável.
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Mensagempor Nuno Pires » sexta abr 18, 2008 10:25 am

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Dia 18 de Abril comemora-se o dia Internacional dos Monumentos e Sítios que este ano celebra o Património Religioso e Espaços Sagrados.



http://www.ippar.pt/pls/dippar/agenda_d ... e=12431228


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Mensagempor Luis Almeida » segunda abr 21, 2008 8:03 am

Bom dia.

Relativamente à questão da conservação e divulgação do nosso património histórico, tenho para mim, três razões principais para o estado em que o mesmo se encontra:

- A falta de um projecto válido de recenseamento, classificação, conservação e divulgação
- O facto de, na maioria dos casos, estarem envolvidos vários organismos com tutela/responsabilidades
- A forte componente burocrática de todo o processo de reclassificação

De qualquer forma, é justo reconhecermos que a situação tem vindo a mudar, provavelmente mais lentamente do que sería desejável.

Saudações a todos. :wink:
Luis Almeida

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Mensagempor Nuno Pires » quarta abr 23, 2008 10:31 am

Onde é que andam o IGESPAR e todos esses institutos que, supostamente, servem para preservar o nosso legado histórico? a espada do Nuno! Com estojo e tudo! Telefonem, depressa! :shock:
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