Bom dia,
Continuando com o tema das bombas, e para me facilitar a exposição, embora correndo o risco de ser maçador ao enunciar o "abc" deste tema, começaria por identificar o tipo de bombas que habitualmente são instaladas nas ACs:
Bombas submersíveis: Estas bombas são instaladas dentro do depósito, sendo accionadas pelos micro interruptores eléctricos existentes em todas as torneiras da AC, funcionando em paralelo. Ao levantar o manípulo de qualquer torneira, o micro interruptor fecha o circuito e a bomba liga e ao fechar verifica-se o inverso. São bombas verticais centrífugas, com corpo de bomba e turbina/difusor. Deve ser instalada logo à saída da bomba uma válvula anti-retorno ou também chamada de retenção, com o objectivo de não permitir o retorno da água ao depósito, através das palhetas do difusor, após o desligar da bomba. Desta forma, a tubagem da rede permanece sempre cheia de água, possibilitando a saída instantânea desta logo que a bomba liga, em vez de ar, se a água regressasse ao depósito. Normalmente funcionam com pressões de 0.5 a 1 bar.
Bombas de pressão: São bombas de membra/diafragma, comandadas por um pressostato incorporado. O pressostato é um interruptor electromecânico, que dispõe de uma mola previamente calibrada (com possibilidade de regulação), que liga ou desliga a bomba em função da pressão existente na rede. Sendo a pressão no circuito igual ou maior do que a "força" da mola, esta desliga. Sendo menor - liga. Aquando da instalação deste tipo de bombas, deve também ser montado em qualquer ponto do circuito um vaso de expansão, com o objectivo de suavizar o arranque da bomba e diminuir o ciclo de liga/desliga. Funciona como um amortecedor pneumático. São bombas auto-ferrantes, uma vez que as membranas criam sucção, aspirando tanto ar como líquidos, até uma altura de cerca de 3.00m. Normalmente trabalham com pressões de 1 a 2 bar.
Identificadas as bombas, e tentando responder à questão levantada pelo companheiro Luis Agostinho, vejamos o seu comportamento perante a abertura da electroválvula anti-gelo.
Esta válvula do boiler, funciona como um fusível. Em caso de temperaturas exteriores inferiores a 4/5 ºC, abre o circuito de água, esvaziando-o, bem como ao boiler, evitando assim o congelamento da água dentro do circuito, com todas as consequências negativas daí resultantes.
Nas bombas submersíveis, existe uma “passagem” sempre aberta entre a saída da bomba e a sua turbina/impulsor. Não existindo a válvula de retenção na saída da bomba, (esta válvula só permite a circulação da água no sentido bomba circuito e não em sentido contrário), e se por hipótese ligássemos a bicha do chuveiro a uma rede de pressão, o depósito de água encheria por intermédio dessa ligação, passando a água através da bomba, em sentido contrário ao habitual. Ou seja, para este efeito, a bomba comporta-se como uma simples tubagem. Para comprovar o que foi dito, note-se que as bombas centrífugas externas, são munidas de um copo ou orifício no corpo da bomba, para através deste se encher o tubo de pesca e assim se “ferrar” a bomba.
Disparando a válvula anti-gelo, o seu efeito corresponde à abertura de uma qualquer torneira, com a particularidade de não possuir micro interruptor para ligar a bomba, isto é, a bomba permanece desligada com a abertura da electroválvula anti-gelo.
Estando esta válvula colocada no ponto mais baixo do circuito, para assim permitir o seu total esvaziamento, esta ao abrir, vai possibilitar a saída da água do reservatório do boiler, cerca de 12 litros e por efeito de sifão, provocar o total esvaziamento da água do depósito.
Nas bombas de pressão, esta situação do esvaziamento do depósito por efeito de sifão já não se verifica. Funcionando estas bombas por acção combinada de três membranas/diafragma, as quais vão criando sucessivas zonas de depressão e pressão por efeito da rotação do motor, estando a bomba parada, estas membranas funcionam como válvulas anti retorno em ambos os sentidos.
No entanto, a bomba acaba igualmente por esvaziar completamente o depósito, uma vez que a abertura da válvula anti-gelo induz uma queda de pressão no circuito, provocando a ligação da bomba. Esta não mais parará (excepto se disposer de fusível térmico, para-arrefece-arranca ....), uma vez que não consegue gerar pressão na rede por forma a fazer disparar a mola do pressostato.
Tendo eu montado na minha AC os dois tipos de bombas descritos, funcionando alternadamente uma ou outra, através de um interruptor inversor, para que não restassem dúvidas, fiz o teste accionando a abertura da válvula anti-gelo e observando o comportamento da água no depósito com uma e outra bomba no activo.
Com este modesto contributo, espero ter contribuído para algum esclarecimento sobre o assunto.
Cumprimentos,
Fernando Neves
