por Henrique Fernandes » quinta mar 29, 2012 1:12 pm
Companheiros:
Só decidi intervir depois de sopesar sensatamente as diversas intervenções que responderam ao post do nosso companheiro Zé Jorge.
Eis a minha visão da coisa:
1 – A FCMP não descobriu a pólvora, muito longe disso! Com efeito, tudo aquilo que consta do referido “parecer” já impregna a legislação aplicável. Se dúvidas houver, basta consultarem o ofício n.º 7461, de 3 de outubro de 2006, dirigido pela 3.ª Repartição do Comando Geral da GNR ao presidente do CPA, então subscrito pelo Chefe do Estado-maior da GNR. Esse ofício é ainda mais “contundente” do que o “parecer” da FCMP, no que concerne aos direitos inalienáveis dos autocaravanistas (de todos os autocaravanistas…).
2 – O “parecer” da FCMP não tem nenhum valor legal, demonstrando por essa razão ser totalmente redundante e inútil, face à legislação vigente. Qual é então o seu verdadeiro valor? É, ao ser publicado onde foi, o do reconhecimento, para o universo autocaravanista (seja ele 100% itinerante ou na vertente campista), de que as posições públicas assumidas por alguns dos afiliados da FCMP (AECAMP, por ex., na pessoa de um tal Manuel Dias) pertencem ao passado. Isso sim, é um passo em frente e uma humilhante “desautorização” de certa gentinha pela “sua” instituição de referência.
3 – O “parecer” da FCMP peca, no contexto do que atrás referi, por ser injustificavelmente tardio. Mas sempre vale mais tarde do que nunca, ao abrigo da pragmática e conveniente política de «se não os consegues vencer, junta-te a eles»…
4 – Nesse sentido, este “parecer” simboliza, para começar, uma deliciosa vitória para os clubes 100% itinerantes (CAI, CAS e CGA), assim como para a FPA, os quais defenderam desde o princípio, inclusivamente nos seus estatutos, muito antes da FCMP (que não defende tal coisa nos estatutos, pois não?...) aquilo que agora foi genericamente assumido! Acredito que sem o CAI, o CAS, o CGA e a FPA, este “parecer” nunca teria visto a luz do dia…
5 – Este “parecer” é também uma vitória para os autocaravanistas “mais campistas” na medida em que, simbolizando um hastear de bandeira branca por parte da FCMP (ou seja, o reconhecimento de que “não podemos vender a alguém aquilo que já é seu por direito”), abre, finalmente, portas para algum tipo de diálogo entre as diversas instituições do universo autocaravanista. E isso é bom para todos.
6 – Claro que entretanto tem de ser resolvida a questão da absurda tentativa de impugnação judicial da FPA por parte da FCMP. Não sei se os autores deste “parecer” terão inteligência estratégica e visão suficientes para perceberem a importância deste “pormenor”. É que alguém ficaria certamente muito mal na fotografia se, daqui a uns anos, surgisse por aí mais um estrondoso “parecer” da FCMP, desta feita a concluir que o aparecimento da FPA era, afinal, totalmente legítimo…
7 – Por último, de “pareceres” e de boas intenções estão os cemitério cheios. Quero, para ficar convencido, ver a FCMP a defender, ao lado dos clubes 100% itinerantes e da própria FPA, junto dos poderes públicos, a criação de AS e de outras infraestruturas FORA DOS PARQUES DE CAMPISMO, para permitir genuinamente a redução de toda a polémica existente à simples possibilidade de livre escolha por cada de um de nós. Aí sim, a FCMP estará a dar-nos (aos autocaravanistas 100% itinerantes) algo que ainda não é totalmente nosso e, acredito eu, a beneficiar também o negócio (legítimo) dos parques de campismo: dado que quase todos nós praticamos, de vez em quando, alguma forma de autocaravanismo campista, quanto maior a facilidade de adesão ao autocaravanismo (a qualquer tipo de autocaravanismo…), maior a probabilidade de os afiliados da FCMP virem a ser também economicamente beneficiados!
Dito isto, nunca, mas nunca se esqueçam de Vauvenargues: «A esperança engana mais que a habilidade.»…
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Henrique Fernandes em quinta mar 29, 2012 3:47 pm, num total de 2 vezes.