Ne sequência do processo continuado de autuações aos autocaravanistas na localidade Manta Rota, desde o passado mês Janeiro, redigimos a Carta Aberta que seguidamente se transcreve. A mesma será entregue, em mão, a partir de amanhã aos comerciantes locais.
Esta vaga de repressão, está a gerar entre os autocaravanistas estrangeiros, que ainda estão no Algarve, uma vaga positiva de solidariedade. Assim, na sequência da reunião que tive ontem com alguns amigos franceses (também autuados), estes disponibilizaram-se para efectuar esta entrega directamente aos comerciantes locais (Merci beaucoup, Daniel et Pierre!!).
Seguirá também nos próximos dias uma carta dirigida aos Presidentes da CM de VRSA e da JF Cacela, dando conhecimento desta carta.
Carta Aberta aos comerciantes de Manta Rota
Caro(a) amigo(a) Gerente Comercial,
Calculamos perfeitamente as consequências do decréscimo de turistas fora da época alta, a qual podemos dizer que decorre ente 1 de Julho e 31 de Agosto. Fora deste curto período, a Manta Rota, como a generalidade dos pequenos aglomerados balneares algarvios, terá grandes dificuldades em manter activos os seus comércios, mais concretamente os cafés, bares, restaurantes e supermercados.
Seria expectável que as autoridades locais e os municípios criassem mecanismos que atraíssem turistas, nos restantes 10 meses do ano, atenuando esta quebra na procura, de modo que a sustentabilidade dos comércios não se ressentisse de um modo tão violento. Mas, infelizmente, tais acções, além de não aparecerem, surgem outras que agudizam ainda mais este problema.
Há no entanto um tipo de turismo – Autocaravanismo – que está em auge em toda a Europa, a crescer desde os anos 60 e em Portugal nos últimos anos. Não estamos a falar de campismo, pois esse deve ser desenvolvido nos espaços que lhe estão destinados. O Autocaravanismo, como forma de Turismo Itinerante, baseia-se na paragem breve (algumas horas ou dias) e na viagem. Não necessita de condições especiais, pois os nossos veículos têm grande autonomia energética, depósitos de águas limpas e residuais, WC, duche quente e frio, cozinha, aquecimento ambiente e um grande conforto interno.
Estes turistas, durante a época baixa, vêm dos vários pontos da Europa, atraídos pelo clima suave do Algarve, pela segurança e pela simpatia dos Portugueses. Esta é (ou era!) uma oportunidade a ser aproveitada de braços aberto, como é em países como França, Itália ou Alemanha, pois estes turistas chegam quando os outros partem.
Infelizmente isso não está a acontecer na Manta Rota, entre outros pontos do Algarve, pois devido a vários tipos de pressões, pensamos que, especialmente, por parte dos empresários dos Parques de Campismo, há uma guerra aberta contra os autocaravanistas através de acções continuadas de aplicação de multas, baseadas em sinais de trânsito de legalidade duvidosa, instalados pela Câmara Municipal. Tem sido prática corrente na Manta Rota, nos últimos meses, a autuação dos autocaravanistas, por parte da GNR, no valor de 60€, cujas autocaravanas estão estacionadas nas novas zonas de parqueamento a Sul da localidade.
Este tipo de acção está a resultar nos seguintes pontos destacadamente negativos:
1. Passagem de uma péssima imagem, e mau acolhimento, por parte do povo algarvio aos turistas que escolhem o nosso país como destino preferencial, para deixarem o seu dinheiro durante vários meses.
2. Diminuição significativa dos valores de facturação de muitos agentes do comércio local da Manta Rota, pois deixaram de contar com mais de 300 clientes potenciais que acorriam diariamente aos seus estabelecimentos.
3. Após serem autuados na Manta Rota, muitos autocaravanistas abandonam Portugal, ficando-se pela vizinha Espanha, sem incentivo para retornarem ao Algarve, deixando lá o que deixariam na Manta Rota.
Caro amigo(a), também é do vosso interesse demonstrar à Junta de Freguesia e Câmara Municipal, o descontentamento decorrente desta situação e exigir medidas que permitam que estes turistas possam frequentar a Manta Rota, durante a época baixa, quando os parques de estacionamento estão totalmente vazios, sem utilidade para ninguém.
Nos países que visitamos, este tipo de turismo é acarinhado e os municípios criam zonas de parqueamento dedicado às autocaravanas, similares à que foi criada em Castro Marim.
Para o caso de Manta Rota, a situação mais lógica seria:
1. A criação de uma tarifa diária de estacionamento/pernoita, à imagem do que é feito fora das nossas fronteiras, pelo valor de 3 ou 4€, por exemplo. Esta situação apenas vigoraria durante a época baixa (15 Set a 15 Jun), tendo a época alta outro tipo de regulamentação, com limite no tempo de permanência, mas reservando alguns lugares para as autocaravanas, por uma questão de não discriminação de veículos devido à sua utilização.
2. Implementar um ponto para abastecimento de água potável e descarga de águas residuais, ficando eficazmente asseguras as questões ambientais. Este serviço em França e Alemanha, quando é cobrado toma geralmente o valor de 1 a 2€.
3. Criar um painel de informação, recordando as condições para permanência das autocaravanas, especialmente vedando eventuais praticas de campismo, as quais não devem ser de algum modo permitidas.
Nada mais simples para gerir a permanência deste tipo de turismo, mantendo um nível de pagamentos que permite fazer face à manutenção do espaço. A existência de um conjunto de regras claras, sujeitas a fiscalização, permite a sã convivência entre turistas e população.
Contamos convosco para continuarmos a frequentar a Manta Rota e os vossos estabelecimentos, especialmente fora da época de grande fluxo turístico. Reforçamos porém que podem contar connosco caso as condições se alterem, especialmente se o vosso município efectuar a revisão da sinalização e das condições de estacionamento das autocaravanas na época baixa e informar cabalmente as autoridades policiais.
Tudo isto também depende vós!
Melhores cumprimentos,
Faro, 15 de Março de 2010
Portal CampingCar Portugal
O Portal Português de Autocaravanismo

