por Henrique Fernandes » domingo mar 18, 2012 1:01 pm
Companheiro A-748-2:
Tem toda a razão no que diz («...concerteza que não será com estes episódios que vão resolver este problema»)! Essa é curta, grossa e certeira! Quanto a isso nada a dizer.
Assim como tem razão quando afirma que é estranho que um clube membro e fundador da FPA se lamente publicamente de «não ter conhecimento de que a FPA tenha até hoje feito alguma coisa em prol do autocaravanismo»
E também é estranho que, nesse contexto, nenhum membro dos dois outros clubes membros e fundadores da FPA tenha procedido da mesma forma...
Mas compreenderão que eu tenho de resistir à tentação de vir explicar aqui, bem preto no branco, o que realmente aconteceu, separando factos de suposições. Até porque, por melhor que o fizesse, cairíamos sempre na velhinha história do penálti. E ainda por cima, não fui para tal mandatado por ninguém.
Direi apenas o seguinte: as pessoas, às vezes, excedem-se (nos clubes, na FPA, fora deles...). Mesmo que não seja por mal. E quando têm razão, ou quando pelo menos têm parte da razão, perdem-na exatamente por se terem excedido.
Além disso, a questão aqui colocada no contexto de uma relação que eu pessoalmente classificaria de "difícil" entre alguns dirigentes, não é tanto a de quem tem razão ou não nas críticas que faz ou não faz. Isso seria, a partir de certo ponto e sobretudo quando se entra no campo dos excessos, cair na discussão dos penáltis.
A questão é antes, no curto prazo, a de sabermos qual a melhor estratégia para lidarmos com esses problemas relacionais.
Isto é, qual a melhor estratégia para fazer funcionar uma relação "difícil" - por razões que agora não vamos discutir - entre clubes e FPA? Demitir a sua direcção por alegadamente esta funcionar apenas a 50% da velocidade por alguns almejada? Demitirem-se os clubes da FPA? Outra solução?
E quem garante que a direcção futura seria mais satisfatória do que a que está?
É aqui que, verdadeiramente, o CAI entendeu, com toda a legitimidade, seguir um caminho, e o CAS e CGA, outro.
Só o tempo dirá qual foi a melhor opção.
Mas volto sempre à ideia fundamental de que o destino final de tudo isto dependerá, e muito, da participação e do envolvimento associativo que cada um dos autocaravanistas portugueses entenda assumir.
Isto é um pouquinho como a abstenção na política: é um direito mas não exerce força política. Se fossem só votar 10% dos eleitores portugueses e cada uma das metades desses votantes escolhesse, respetivamente, o partido A e o partido B, os dois partidos sufragados teriam, cada um, uma representação legal de 50% dos mandatos. O "partido da abstenção", com 90% de simpatizantes mas sem nenhum eleitor, fica sem força política nenhuma.
Se os companheiros optarem, como tem sido genericamente o caso até agora, pela "abstenção associativa", os "partidos no poder" terão legitimidade inquestionável, mas direito a muito pouca confiança dedicada pelos "eleitores abstencionistas". Imperararão a desconfiança e a descrença, sentimentos que virão somar-se aos problemas já existentes e que nunca desaparecerão do espectro da natureza humana.
E este é, de facto, o verdadeiro problema do autocaravanismo nacional. Um sector está representado por umbilicações difusas a um universo campista (acolhedor de algumas ideias "obrigacionistas" em relação à permanência em parques de campismo, ou de ideias "zelosas" em relação à permanência no espaço público), no qual as coisas também não são pacíficas. O outro sector, que costumo chamar de "100% itinerante", também ele perturbado, está representado por três clubes e por uma federação que só contém agora, a julgar pelo que aqui foi dito, dois deles.
Isto não é grave. O que é grave é que a grande maioria dos autocaravanistas, isto é, o "sector maioritário", não está representado por ninguém!
E é nisto, mais do que nas tricas envolvendo o CAI, o CAS, o CGA e a FPA, que ainda por cima não podem para já (nem devem) ser aqui esclarecidas, que todos devemos, no longo prazo, refletir...