por Papa Léguas » sexta Oct 14, 2011 2:13 am
Saúde para todos.
Quando iniciei este tópico principiei por dizer:
“Quando se fala de autocaravanismo, ao nível das entidades vocacionadas preferencialmente para o mesmo, é hábito defini-lo como uma modalidade de turismo itinerante. Mas, o autocaravanismo será só isso?
Procurei e, talvez por não ter procurado melhor, não encontrei nenhuma definição de autocaravanismo que me satisfizesse.”
Na segunda mensagem que escrevi neste tópico procurei ser pedagógico e transmitir alguma serenidade dizendo:
“Quero principiar por fazer um esclarecimento para que não venham a verificar-se intervenções que pouco ou nada têm com o ou os temas em discussão.
O facto de nas minhas intervenções poder ou não, concordar ou discordar, de alguma ideia não significa em si mesmo que tenha qualquer tipo de animosidade contra o autor ou o mensageiro da ideia.
Nesse sentido, como já neste Fórum referi, em nenhum momento, salvo alguma excepção, entrei em diálogo directo com quem quer que seja, pois, como é notório nas minhas mensagens, não me dirijo a ninguém específico, optando por dirigir-me a todos, forma que utilizo para centrar as atenções apenas nas ideias. Também se não pode extrair deste procedimento uma forma de superioridade moral, intelectual ou outra qualquer, ou mesmo qualquer intenção de subalternizar quem escreve neste Fórum.
Tenho para mim que o facto de duas ou mais pessoas discordarem ou defenderem ou interpretarem diferentemente uma ideia não devem, por esse facto, agredirem-se física ou psicologicamente. Parto, evidentemente, do princípio básico de que essas pessoas são estruturalmente honestas na defesa ou contestação das ideias.”
De todas as intervenções apreciei as de Mcas, não obstante não estar genericamente de acordo com as ideias que transmite e emitir alguns juízos de valor que seriam desnecessários. Reconheça-se, porém, que são juízos de valor que, não obstante estarem no limiar, não ultrapassam, o respeito que as pessoas têm que ter umas com as outras, sem o que o diálogo não será possível.
Todas as minhas mensagens mais não procuraram que transmitir a ideia que não está definido um “ideal autocaravanista” e que é preciso criá-lo. Mas, mais grave, do que não estar definido, é nem sequer ser sentido de forma colectiva.
Há quem queira classificar os autocaravanistas em três grandes grupos: libertários, convencionais e restritos. Se a ideia de libertário está bastante entendível, já as duas restantes classificações necessitariam de um maior desenvolvimento. Evidentemente que, ao estabelecermos uma classificação, estamos a colocar rótulos. Mal ou bem, as sociedades precisam de “rotulamentos”. Mas, como é claro, não será através de qualquer tipo de classificação dos autocaravanistas que se irá criar um “ideal autocaravanista”.
Outras intervenções houve que não tiveram o engenho e a arte para centrar as respectivas opiniões nas ideias e que foram agressivas.
Não é aceitável que quem quer que seja afirme:
“Estou a ficar cansado... mas ainda não me vou dar por vencido, apesar de quem pensa como eu, não o fazer, sob pena de retaliação, e mais não é preciso dizer...”
Gostaria que todos (e até o autor) reflectissem sobre a acusação que a frase reflecte e sobre qual é a mais-valia que uma frase destas trás para uma análise de ideias.
Não quero deixar de responder a quatro perguntas que aqui foram colocadas, sem, contudo, deixar de afirmar, que não pertenço a nenhuma “claque”. Isto, se bem entendi, o significado de “claque” neste contexto.
Mas vamos às perguntas.
1ª - O Autocaravanismo é, e será sempre uma ramificação do Campismo?
Se bem se ler na 3ª pergunta em que se afirma que “O Autocaravanismo desenvolveu-se a partir do Campismo (…)” a primeira parte da pergunta N.º 1 tem uma óbvia resposta dada pelo próprio autor.
Se o Autocaravanismo se desenvolveu a partir do Campismo, como afirma o autor da pergunta, ele (autocaravanismo) é uma ramificação do campismo. Se “(…) será sempre uma ramificação do campismo?”, ou mesmo se já deixou de o ser, passa por se criar ou não um “ideal autocaravanista” ou se criar ou não um sentimento colectivo de independência e acção solidária, que não existem.
Ao nível das regras de comportamento que um autocaravanista deve cumprir, tal como já disse, cerca de 70 a 80% das regras estabelecidas para os comportamentos que os autocaravanistas devem seguir são quase, senão mesmo iguais, às que o “código campista” e as “Boas práticas campistas” preconizam. E são semelhantes ou iguais porquê? Porque as normas constantes do “código campista” e das “Boas práticas campistas” são regras de civismo e, como tal, aplicam-se a qualquer cidadão.
2ª - O Autocaravanismo é indissociável do Campismo?
Se o termo “indissociável” for sinónimo de “autónomo” penso que pode, desde que se verifiquem uma de duas condições: existir definido um “ideal autocaravanista” ou existir um sentimento colectivo de independência e acção solidária. Nem uma, nem outra, das condições existem, presentemente, logo, a resposta, é não.
3ª - O Autocaravanismo desenvolveu-se a partir do Campismo, e no futuro as atitudes comportamentais deverão continuar a ser Campistas?
Não há uma resposta para esta pergunta, tal como está.
Vejamos: Já anteriormente disse que as normas constantes do “código campista” e das “Boas práticas campistas” são essencialmente e quase na totalidade regras de civismo e, como tal, aplicam-se a qualquer cidadão. Isto, em boa verdade, significa que existem regras de civismo que foram compiladas e integradas num chamado “código campista” ou livro das “Boas práticas campistas”. O mesmo se poderá dizer das regras que foram compiladas na “Cartilha do Autocaravanista”, nas “Regras de Ouro” ou no “Respeito Autocaravanista”.
No futuro, não tenho nenhuma bola de cristal, ignoro se poderão vir a existir regras de civismo que se adaptem exclusivamente a um autocaravanista. Com os conhecimentos do presente não prevejo regras cívicas exclusivas para autocaravanistas.
4ª - No futuro o Autocaravanista deve poder escolher entre Campismo e Autocaravanismo Itinerante sem recurso a parques campismo?
Responder em consciência a esta pergunta é quase impossível.
Primeiro, não se trata do futuro. Trata-se do presente e do direito de opção que não pode ser coarctado. Depois, teremos que definir o que é um autocaravanista. Para simplificar, partamos do princípio que consideramos como autocaravanista o utilizador de uma autocaravana. Portanto, agora ou no futuro, a pessoa que é o autocaravanista tem que ser livre para poder fazer opções. Depois, teremos que definir o que é Autocaravanismo itinerante! Haverá um Autocaravanismo sedentário? É itinerante porque não recorre a parques de campismo? E se recorrer já não é itinerante? Ou estaremos a falar de autocaravanismo entendido como uma modalidade de turismo itinerante?
Para responder a esta pergunta, em consciência, como já disse, necessitaríamos de ter um entendimento comum do que é, principalmente, o Autocaravanismo itinerante.
Possivelmente nunca chegaremos às conclusões que cada um desejaria que fossem as suas, mas isso não nos pode impedir de continuar numa procura.
Cada um terá experiências distintas que os fazem reflectir de forma diferente. Muitos, senão todos, apelam à unidade em prol do autocaravanismo, apelos que têm uma repercussão emocional muito grande, mas que em si só, não passam disso: de apelos.
É extremamente fácil falar de unidade em abstracto, é bonito e politicamente correcto; o difícil é contribuir para essa mesma unidade cuja construção se tem que fazer em torno de questões concretas alicerçadas em princípios.
E posso assegurar-vos que existem questões concretas, alicerçadas em princípios, que podem contribuir para a unidade e para um sentimento colectivo de independência e acção solidária.
E, aqui, coloca-se a 5ª pergunta que foi feita:
5- Devem os autocaravanistas portugueses, na procura da sua identidade, ter uma Federação própria?
Esta é uma pergunta legítima, mas a que é melindroso responder. Não porque, pessoalmente, sinta qualquer dificuldade em fazê-lo, mas porque sendo, como suponho ser do conhecimento geral, dirigente de uma associação, tenho, perante os meus companheiros da Direcção dessa associação, a obrigação de ter alguma reserva sobre algumas questões, por razões que me dispenso de evocar.
Permito-me, contudo, adiantar o seguinte, porque é público: Em pelo menos dois Fóruns, há já alguns anos, foram feitas votações sobre a criação de uma federação autocaravanista que não obteve mais do que cerca de 30 respostas em cada um dos Fóruns. Um dos inquéritos foi feito com uma prévia discussão e outro, se bem me lembro, “a seco”.
Vou, porém, reflectir se devo ou não intervir neste tema. E, se o decidir, será num outro tópico.
Voltarei ao tema: “Ideal autocaravanista. O que é?”
Saudações autocaravanistas