por Henrique Fernandes » sexta fev 24, 2012 7:39 pm
Expresso-me a título puramente pessoal quando, com base na experiência que o tempo me trouxe, manifesto aqui a minha convicção de que a "ligação" do CPA à FCMP esteve, de algum modo, na base das inflexíveis "exigências" que referi acerca da subscrição incondicional da "declaração de princípios".
"Exigências" essas que, recordo, conduziram em última instância - como expliquei na minha intervenção anterior - à criação da FPA.
Mas trata-se apenas da minha convicção, o que é um pouco como as questões de fé: cada um toma a que quer e dá apenas a que tem...
Nesta linha de raciocínio tenho consciência de que muitos autocaravanistas se revêm numa fórmula diferente da minha, materializada na frequência significativa de parques de campismo, coisa que eu raramente faço. Daí compreender também que desejem obter a carta de campista, objectivo que deve ser respeitado por todos aqueles que entendam não precisar de tal documento.
Estou acima de qualquer suspeita para afirmar que nesse contexto o CPA tem uma mais que legítima razão e espaço para existir: a defesa dos interesses dos seus sócios, incluindo aqueles que perfilham uma visão mais campista do autocaravanismo do que eu.
Não me choca por isso, naturalmente (nem poderia, até porque é assunto que não me respeita) que o CPA esteja filiado na FCMP, nem que reúna com autarquias e CCDR, desde que a montante dessa diligência não faça passar a ideia - que, então sim, seria abusiva - de estar a defender os interesses de TODOS os autocaravanistas. Com efeito, não me sinto representado nem defendido pelo CPA (e por inerência, pela FCMP), apesar do muito respeito que conceda aos seus dirigentes e membros. No que concerne à minha visão do autocaravanismo, sinto-me apenas representado e defendido pela FPA. Do mesmo modo estou convicto de que a FPA não se arrogará o direito de, junto das entidades oficiais com que contacta, querer passar a ideia de representar e defender os interesses de autocaravanistas que perfilhem uma visão bem mais "campista" (ou, melhor dito, mais ligável à existência da FCMP) do que eu.
Por outras palavras, pese embora o incómodo que já percebemos ter surgido junto da FCMP com o surgimento da FPA, o inverso não acontece: à FPA, aos clubes que a constituem, e a mim em particular, não aquece nem arrefece a existência da FCMP.
Se cada um de nós respeitar as fronteiras destes dois universos mentais do cosmos autocaravanista, tornar-se-ão desnecessários quaisquer "fundamentalismos", passando a questão a estar reduzida à simples defesa de interesses que, sendo distintos, serão sempre legítimos, na condição da cada macaco se sentar apenas no seu galho.
Nessa perpectiva não acredito hoje na possibilidade de uma "desvinculação" efectiva do CPA em relação à FCMP, assunto que aliás apenas diz respeito aos sócios do CPA e à FCMP. Mas já não posso dizer o mesmo acerca da criação de mais clubes autocaravanistas "puros" (sem relação com o universo campista), estabelecendo por essa via uma mais sólida complementaridade dos dois universos a que me referi. No fundo, sou daqueles que acreditam no fortalecimento do autocaravanismo através da pluralidade e possibilidade de escolha.
A cada um de nós, autocaravanistas, cabe apenas a decisão de abraçar, querendo, um dos modelos (ou de contribuir para criar outros que porventura possam ganhar o seu espaço...) , e daí para a frente respeitar religiosamente os companheiros que escolheram um que seja diferente do nosso.